País da Semana Eritreia

Eritreia

O cristianismo chegou ao país em 34 a.C., através de um tesoureiro do reino de Sabá, mas foi difundido com mais eficiência e rapidez no século 4 d.C. O cristianismo ortodoxo (Tewahdo) é o mais praticado pelos eritreus; outros grupos cristãos, como católicos e protestantes, só chegaram ao país após 1890 com o domínio italiano. Os cristãos são basicamente ortodoxos e quase inteiramente da etnia tigrínia.

O governo exige que os grupos religiosos se registrem, mas não aprova nenhum registro, desde 2002, além dos quatro principais grupos religiosos: a Igreja Ortodoxa da Eritreia, a Igreja (luterana) Evangélica da Eritreia, o islã e a Igreja Católica Romana. Os demais grupos religiosos não têm permissão para se reunir ou atuar livremente no país e quando o fazem são perseguidos. Isso porque são acusados de se unir contra o governo e ser uma ameaça para o Estado.

Para evitar um aumento no número de cristãos, o governo cortou relações com ONGs e outros projetos internacionais e restringiu a entrada de trabalhadores cristãos estrangeiros. Além disso, os muçulmanos eritreus têm mostrado tendências para o radicalismo, em parte devido à influência da região do Chifre da África e em parte ao posicionamento das autoridades, acusadas de manter ligações com militantes islâmicos como o Al-Shabaab.
A Constituição de 1997 prevê liberdade religiosa, no entanto, ela ainda não foi implementada. Assim, não é permitida a distribuição de Bíblias no Exército e nas escolas. Desde setembro de 2001, foi suspensa definitivamente toda impressão de materiais religiosos (papéis e livros devocionais ou particulares, etc.).

Somente quatro instituições religiosas “históricas” no país são reconhecidas, a saber: o islamismo e as igrejas ortodoxas, católicas e luteranas evangélicas. Cristãos independentes, por vezes, enfrentam perseguição religiosa, originada, em parte, pelas diferenças teológicas, em outra por questões de tradição e reconhecimento histórico.

Desde maio de 2002, todas as igrejas evangélicas estão fechadas por ordem do governo e precisam de autorização para funcionar. A prática de prender aqueles que se reúnem ou exercem qualquer outra atividade religiosa sem a autorização do governo já causou a prisão de mais de dois mil cristãos, alguns dos quais ainda permanecem na prisão depois de 11 anos.

Aqueles que se convertem do islamismo são excluídos da sociedade e banidos de usufruir dos direitos básicos na comunidade. Casas são invadidas e danificadas e pessoas são submetidos a tortura, espancamentos e prisões em contêineres, onde a temperatura pode chegar a 50 graus Celsius.

“O país é governado pelo medo e não pela lei”, afirmou a Comissão de Inquérito da ONU. De acordo com as pesquisas da Classificação da Perseguição Religiosa, a situação dos cristãos na Eritreia tem piorado desde 2003, e os relatórios sugerem que a sociedade continuará produzindo uma atmosfera de medo para com as minorias.

Atualização: 15/12/2015

fonte: www.portasabertas.org.br