EFEITOS DA AUTÊNTICA VISÃO MISSIONÁRIA

Raimundo DAMASCENO dos Santos

“E Paulo teve, de noite, uma visão em que se apresentava um varão da Macedônia e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos! E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (Atos 16.9,10).

INTRODUÇÃO

A partir de Atos 16, o foco do evangelista Lucas, escritor do livro, volta-se para as aventuras da Segunda Viagem Missionária que Paulo e Silas empreenderam, com uma missão dupla: entregar a resolução “convencional” da Assembleia Geral em Jerusalém (Atos 15.22,23,30; 16.4,5) e visitar as igrejas que foram plantadas durante a Primeira Viagem Missionária (Atos 15.36). A princípio, Paulo se faria acompanhar por Barnabé e Marcos, mas por circunstâncias da viagem anterior, como a volta de Marcos após o início da Viagem, Paulo não o permitiu ir nesta Segunda Viagem, fato que fez Barnabé, tio de Marcos, também desistir (Atos 15.37-39). Diante da situação, Paulo, claramente o líder da expedição, convida Silas, profeta judeu (Atos 15.32), que também tinha a cidadania romana, tal qual Paulo (Atos 16.37), para o acompanhar (Atos 15.40). É aqui que principiamos nosso relato, quando precisamente eles iniciam a Segunda Viagem Missionária e, chegando em Listra, cidade da Licaônia (Atos 14.6; 16.1), distrito da Galácia, encontram Timóteo (2 Tm 1.5; At 16.1), que passa a acompanha-los.

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[1] Pastor titular da AD Jiquiri, município de Esperantinópolis – MA. Educador e Teólogo, é licenciado em Filosofia e em Pedagogia e cursou Pós-graduação lato sensu em Docência no Ensino Superior pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). É bacharel em Teologia pela Faculdade de Ciências, Educação e Teologia do Norte do Brasil – FACETEN (Boa Vista – RR), sendo também Mestre e Doutor em Teologia, área em que milita desde 1991. Foi professor e diretor universitário por vários anos. A partir de 2008, volta sua atenção para o ministério do ensino e da palavra e contribuiu na fundação do CEFOMTTA (Centro de Formação Missiológica, Teológica e Técnicas Associadas), instituição que promove o PROMIFE (Projeto Missões de Férias), sempre no contexto de Lago da Pedra, onde se estabeleceu a partir de 2009. A partir de 2012, dedica-se integralmente ao pastorado e suas causas (teologia e missões), e tem, sempre que possível, contribuído com orientação pedagógica e na ministração de aulas em institutos de Teologia e de Missões no Maranhão e Piauí. Desde 2014 preside igrejas. No contexto da Convenção Estadual das Assembleias de Deus no Maranhão – CEADEMA, é secretário ad hoc da Comissão de Ingresso, Secretário Geral da UNILIDER e da UMADLAGOS, extensão da UNILIDER na região dos Lagos Maranhenses. Ministra, quando o tempo permite, para jovens, senhoras, obreiros e professores de EBD. CONTATOS: (99) 98452-5508 (Claro e WhatsApp). E-mail: profdamassa@gmail.com

  1. O impedimento do Espírito Santo e a visão em Trôade

Segundo o relato de Lucas, o Espírito Santo não permitiu que Paulo e seus companheiros pregassem na Ásia Menor (atual Turquia, que naquele tempo englobava as cidades de Éfeso, Esmirna, Filadélfia, Laodiceia, Sardes, Pérgamo e Tiatira), região norte/nordeste; idem na Bitínia, uma província romana separada, a nordeste de Mísia. O mesmo Espírito direciona-os para Trôade, cidade portuária marítima no mar Egeu e, quando a noite chega, Deus fala com Paulo numa visão, direcionando-o à região da Macedônia, continente europeu, ligada à Acaia (Grécia) cuja principal cidade era Filipos. É importante observar que, analisando o verso 7 (versões ARC e ARA), Lucas diz que Paulo e sua equipe “tentaram” ir para a Bitínia e foram impedidos pelo Espírito; a partir do verso 10, Lucas diz: “…logo depois desta visão, procuramos partir…, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (Atos 16.10 ARC),  isto é, a partir de Trôade, pelo menos na narrativa, Lucas se juntou à equipe de Paulo, Silas e Timóteo, como testemunha ocular de tudo que passou a ocorrer dali por diante.

  1. Efeitos da Visão Missionária

Quando nos debruçamos para observar, atentamente, as ações de Paulo e sua equipe a partir do momento da visão divina, podemos detectar alguns efeitos imediatos, que passo a destacar agora:

  1. a) Ela produz objetivos, alvos, propósitos (v.10b). Lucas diz que, assim que Paulo relatou a visão ao grupo, eles “procuraram partir para a Macedônia”. Um dos principais problemas que encontramos hoje dentro desse quesito, que muitos aventureiros estão tendo “visagens” e vendendo-as como “visão divina”. Todo empreendimento onde não houver um sentimento autêntico relacionado à Obra Missionária e suas necessidades, onde os agentes são inconsequentes, o trabalho não será realizado com o rigor e o devido cuidado; logo, não surtirá efeitos. Quando Deus fala, não há dúvida, e sempre nos disponibilizamos a fazer sua Obra.
  2. b) Ela atende à necessidade (v. 9). Lucas registra que na visão, o varão macedônio clamava: “passa à Macedônia e ajuda-nos!”. Isso significa: vem pra cá, estamos com carências, precisamos de ajuda. E quando a visão é autêntica, os agentes se preocupam em atender às necessidades, que foi o próprio Deus que detectou. Há um ditado antigo que diz: “quem quer fazer, dá um jeito; quem não quer, dá uma desculpa”. Que nós, operários da Obra de Deus, jamais cruzemos os braços diante do pedido de socorro de almas sedentas!
  3. c) Ela produz ação, atitude (v. 10a). O texto é claro: “E, logo depois dessa visão, procuramos…”. A equipe de sentiu impelida a agir para que o desafio que Deus acabara de impor a eles fosse atendido. Eles não foram teorizar, fazer um projeto etc., pois claro estava que o Espírito Santo tinha pressa naquela obra, pois Ele mesmo estava direcionando a equipe para a Macedônia, já que antes em duas oportunidades não os havia deixado tomar outro rumo. Que jamais deixemos de atender ao chamado do mestre para sua Obra, já que ele jamais nos impõe um desafio sem nos proporcionar os meios de realizá-lo (1 Co 10.13). Quando Deus nos chamar, façamos como Isaias: “eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6.8).
  4. d) Ela produz confiança, convicção da chamada (v. 10c). A convicção do grupo quando teve conhecimento da visão foi uma só: “concluindo que o Senhor (e não o homem) nos chamava…”. Isso significa dizer, que visões reais produzem atitude de espírito reais, convicções plenas, fortes, recheadas de desejos nobres de falar do amor de Deus aos povos, como demonstrou a equipe de Paulo. Glória a Deus! Toda vez que a dúvida tentar invadir seu espaço físico central, diga para ela que você está protegido por Deus (Salmo 34.7; 46.1).
  5. e) Ela produz boas novas, mensagem de salvação (v. 10c). Concluindo, Lucas entendeu que a visão divina que Paulo tivera sobre o pedido de s.o.s. do jovem macedônico, só poderia ter um desfecho, que seria…: “para lhes anunciarmos o evangelho”. Como é lindo a convicção plena na vida de um servo, uma serva de Deus, que entende o propósito soberano de Deus para sua vida, e que esse propósito passa pela pregação do evangelho de Cristo Jesus (2 Tm 4.5).

 

  1. CONCLUSÃO

Sob nenhuma circunstância, Deus irá abandonar servos compromissados com sua Obra de resgatar vidas para trazê-las à Seara do Mestre Divino. Portanto, jamais cruzemos os braços diante do chamado, pois Ele conta conosco. Deus te abençoe poderosamente!

 

 

 

Pr. Damasceno

AD Jiquiri

Esperantinópolis – MA

(99) 98452-5508 (Claro/Whats).

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